Documento aprovado por 250 votos a 4 no último concílio outonal da IASD. Tradução direta do original, feita pelo MV. Original aqui. Matéria da Revista Adventista aqui.

Declaração sobre a visão bíblica da vida por nascer e suas implicações para o aborto

Os seres humanos são criados à imagem de Deus. Parte do presente que Deus nos deu como humanos é a procriação, a capacidade de participar da criação junto com o Autor da vida. Esse dom sagrado deve sempre ser valorizado. No plano original de Deus, toda gravidez deve ser o resultado da expressão de amor entre um homem e uma mulher comprometidos um com o outro em casamento. Uma gravidez deve ser desejada, e cada bebê deve ser amado, valorizado e nutrido mesmo antes do nascimento. Infelizmente, desde a entrada do pecado, Satanás fez esforços intencionais para estragar a imagem de Deus, desfigurando todos os dons de Deus ‒ inclusive o da procriação. Consequentemente, às vezes, as pessoas se deparam com dilemas e decisões difíceis sobre uma gravidez.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia está comprometida com os ensinamentos e princípios das Sagradas Escrituras que expressam os valores de Deus na vida e fornecem orientação para futuros pais, equipe médica, igrejas e todos os crentes em questões de fé, doutrina, comportamento ético e estilo de vida. A Igreja, embora não seja a consciência dos crentes individuais, tem o dever de transmitir os princípios e ensinamentos da Palavra de Deus.

Esta declaração afirma a santidade da vida e apresenta princípios bíblicos em relação ao aborto. Conforme usado nesta declaração, o aborto é definido como qualquer ação destinada ao término da gravidez e não inclui a interrupção espontânea de uma gravidez, também conhecida como aborto espontâneo.

Princípios Bíblicos e Ensinamentos Relativos ao Aborto

Como a prática do aborto deve ser ponderada à luz das Escrituras, os seguintes princípios e ensinamentos bíblicos fornecem orientação para a comunidade de fé e indivíduos afetados por essas escolhas difíceis:

1. Deus defende o valor e a sacralidade da vida humana. A vida humana é de grande valor para Deus. Tendo criado a humanidade à Sua imagem (Gênesis 1:27; 2:7), Deus tem um interesse pelas pessoas. Deus as ama e se comunica com elas, e estas, por sua vez, podem amar e se comunicar com Ele.

A vida é um presente de Deus, e Deus é o doador da vida. Jesus é a vida (João 1: 4). Ele tem vida Nele mesmo (João 5:26). Ele é a ressurreição e a vida (João 11:25; 14: 6). Ele fornece abundante vida (João 10:10). Quem tem o Filho tem vida (1 João 5:12). Ele também é o sustentador da vida (Atos 17:25-28; Colossenses 1:17; Hebreus 1:1-3), e o Espírito Santo é descrito como o Espírito de vida (Romanos 8:2). Deus se preocupa profundamente com Sua criação e especialmente com a humanidade. Além disso, a importância da vida humana é esclarecida pelo fato de que, após a queda (Gênesis 3), Deus “deu Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Enquanto Deus poderia ter abandonado e destruído a pecaminosa humanidade, Ele optou pela vida. Consequentemente, os seguidores de Cristo serão ressuscitados dentre os mortos e viverão em comunhão face a face com Deus (João 11:25-26; 1 Tessalonicenses 4:15-16; Apocalipse 21:3). Assim, a vida humana tem um valor inestimável. Isso é verdade para todos os estágios da vida: nascituros, crianças de várias idades, adolescentes, adultos e idosos ‒ independentemente das capacidades físicas, mentais e emocionais. Também é verdade para todos os seres humanos, independentemente do sexo, etnia, status social, religião e qualquer outra coisa que possa distingui-los. Tal entendimento da santidade da vida dá valor inviolável e igual a toda e qualquer vida humana, que requer ser tratada com o maior respeito e cuidado.

2. Deus considera o nascituro como vida humana. A vida pré-natal é preciosa para de Deus, e a visão da Bíblia descreve o conhecimento de Deus sobre as pessoas antes que elas sejam concebidas. “Os Teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no Teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia” (Salmo 139:16). Em certos casos, Deus guiou diretamente a vida paternal. Sansão deveria “ser nazireu de Deus desde o ventre” (juízes 13:5). O servo de Deus é “chamado do ventre” (Isaías 49:1, 5). Jeremias já estava escolhido como profeta antes de seu nascimento (Jeremias 1:5), assim como Paulo (Gálatas 1:15) e João, o Batista deveria “ser cheio do Espírito Santo, desde o ventre de sua mãe” (Lucas 1:15). De Jesus, o anjo Gabriel explicou a Maria: “Por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lucas 1:35). Em sua encarnação, o próprio Jesus experimentou o período pré-natal humano e foi reconhecido como o Messias e Filho de Deus logo após Sua concepção (Lucas 1:40-43).

A Bíblia atribui alegria ao feto (Lucas 1:44), e até rivalidade (Gênesis 25:21-23). Os que ainda não nasceram têm um lugar firme com Deus (Jó 10:8-12; 31:13-15). A Bíblia mostra uma forte estima pela proteção da vida humana e considera danos ou a perda de um bebê ou mãe como resultado de um ato violento, um problema sério (Êxodo 21:22-23).

3. A vontade de Deus em relação à vida humana é expressa nos Dez Mandamentos e é explicada por Jesus no Sermão da Montanha. O decálogo foi dado como uma aliança entre Deus e as pessoas e serve para guiar suas vidas e protegê-las. Seus mandamentos são imutáveis verdades que devem ser estimadas, respeitadas e obedecidas. O salmista louva a lei de Deus (por exemplo, Salmo 119), e Paulo chama isso de santo, justo e bom (Romanos 7:12). O sexto mandamento declara: “Não matarás” (Êxodo 20:13), que exige a preservação da vida humana. O princípio de preservar a vida consagrada no sexto mandamento coloca o aborto em seu escopo.

Jesus reforçou o mandamento de não matar em Mateus 5:21-22. A vida é protegida por Deus. Isso é não medido pelas habilidades dos indivíduos ou por sua utilidade, mas pelo valor que a criação de Deus e o amor sacrificial colocou nele. Personalidade, valor humano e salvação não são conquistados ou merecidos, mas graciosamente concedidos por Deus.

4. Deus é o dono da vida, e os seres humanos são Seus mordomos. As Escrituras ensinam que Deus é dono de tudo (Salmo 50:10-12). Deus tem uma reivindicação dupla sobre os seres humanos. Eles são Dele porque Ele é o Criador e, portanto, é o dono deles (Salmo 139:13-16). Eles também são Seus porque Ele é o Redentor, e os comprou com o preço mais alto possível ‒ Sua própria vida (1 Coríntios 6:19-20). Isso significa que todos os seres humanos são mordomos de tudo o que Deus tem confiado a eles, incluindo suas próprias vidas, a vida de seus filhos e a dos nascituros. A mordomia da vida também inclui assumir responsabilidades que, de certa forma, limitam suas escolhas (1 Coríntios 9:19-22). Visto que Deus é o doador e dono da vida, os seres humanos não têm controle final sobre si mesmos, devendo preservar a vida sempre que possível. O princípio da mordomia da vida obriga a comunidade de crentes a guiar, apoiar, cuidar e amar aqueles que enfrentam decisões sobre a gravidez.

5. A Bíblia ensina a cuidar dos fracos e vulneráveis. Deus mesmo cuida daqueles que estão em desvantagem e oprimidos, e os protege. Ele “… não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas… faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa” (Deuteronômio 10:17-18, cf. Salmo 82:3-4; Tiago 1:27). Ele não considera filhos responsáveis pelos pecados de seus pais (Ezequiel 18:20). Deus espera o mesmo de Seus filhos. Eles são chamados para ajudar as pessoas vulneráveis e aliviar seu fardo (Salmo 41:1; 82:3-4; Atos 20:35). Jesus fala do menor de seus irmãos (Mateus 25:40), por quem Seus seguidores são responsáveis, e pelos pequenos que não devem ser desprezados ou se perder (Mateus 18:10-14). Os menores, a saber, os que ainda não nasceram, devem ser contados entre eles.

6. A graça de Deus promove a vida em um mundo marcado pelo pecado e pela morte. Faz parte da natureza de Deus proteger, preservar e sustentar a vida. Além da providência de Deus sobre Sua criação (Salmo 103:19; Colossenses 1:17; Hebreus 1:3), a Bíblia reconhece o amplo efeito devastador e degradante do pecado sobre criação, inclusive sobre corpos humanos. Em Romanos 8:20-24, Paulo descreve o impacto da queda como sujeitando a criação à futilidade. Consequentemente, em casos raros e extremos, a concepção humana pode produzir gestações com perspectivas fatais e/ou anomalias agudas de nascimento com risco de vida que colocam mães ou casais com dilemas excepcionais. As decisões nesses casos podem ser deixadas à consciência dos indivíduos envolvidos e suas famílias. Essas decisões devem ser bem informadas e guiadas pelo Santo Espírito e a visão bíblica da vida descrita acima. A graça de Deus promove e protege a vida. Os indivíduos nessas situações desafiadoras podem procurá-Lo com sinceridade e encontrar orientação, conforto e paz no Senhor.

Implicações

A Igreja Adventista do Sétimo Dia considera o aborto fora de harmonia com o plano de Deus para a vida humana. Afeta o nascituro, a mãe, o pai, a família, os parentes, a família da igreja e a sociedade com consequências a longo prazo para todos. Os crentes devem confiar em Deus e seguir Sua vontade, sabendo que Ele tem o melhor interesse para Seus filhos.

Embora não apoie o aborto, a Igreja e seus membros são chamados a seguir o exemplo de Jesus, sendo “cheio de graça e verdade” (João 1:14), para (1) criar uma atmosfera de verdadeiro amor, provendo cuidado pastoral bíblico cheio de graça e apoio amoroso àqueles que enfrentam dificuldades nas decisões sobre o aborto; (2) contar com a ajuda de famílias comprometidas e que funcionem bem para educá-los para cuidar de indivíduos, casais e famílias em dificuldades; (3) incentivar membros da igreja a abrir suas casas para os necessitados, incluindo pais solteiros e filhos adotivos; (4) cuidar profundamente e apoiar de várias maneiras mulheres grávidas que decidem manter seus filhos ainda não nascidos; e (5) fornecer emoções e apoio espiritual àqueles que abortaram uma criança por várias razões ou foram forçados a ter um aborto e podem estar sofrendo fisicamente, emocionalmente e/ou espiritualmente. A questão do aborto apresenta enormes desafios, mas oferece aos indivíduos e à Igreja a oportunidade de ser o que aspiram ser: uma comunhão de irmãos e irmãs, uma comunidade de crentes, a família de Deus, que revela Seu amor imensurável e infalível.


 

A imagem abaixo mostra o nível de legalidade do aborto em cada país. Roxo: indica proibição total. Vermelho: só se for para salvar a vida da mãe. Amarelo para preservar a saúde. Verde: Múltiplas razões sociais e econômicas. Azul: a pedido, períodos gestacionais variam. Fonte: https://reproductiverights.org/worldabortionlaws

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