O último vídeo produzido pelo Amazing Discoveries Africa, com a participação do Prof. Walter Veith “incendiou” (quase literalmente) as redes sociais. No espaço de uma semana, o vídeo original, em inglês, já teve mais de 130 000 visualizações, e em português, em um dia teve 18 000 visualizações.

Como acontece muito frequentemente com algumas palestras do Prof. Walter Veith – algo a que ele, seguramente, já “se habituou” – muitos conseguem logo DISTORCER aquilo que ele diz, de uma forma, que, eu diria, é quase… inacreditável!

Com ele, quase me atrevo a dizer, que ocorre algo muito semelhante (não necessariamente igual) àquilo que o apóstolo Pedro disse que faziam (e ainda fazem!) com os escritos do apóstolo Paulo:

“e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de facto, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais HÁ CERTAS COISAS DIFÍCEIS DE ENTENDER, QUE OS IGNORANTES E INSTÁVEIS DETURPAM, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles.” (2 Pedro 3:15,16; ARA; minha ênfase em maiúsculas).

Pois bem, já existem pessoas – mesmo pastores – que andam por aí a dizer que o Prof. Walter Veith disse que Jesus virá… até ao ano de 2027, quando o mesmo disse, MAIS DO QUE UMA VEZ, que NÃO ESTAVA A MARCAR NENHUMA DATA PARA A VINDA DE CRISTO! O preconceito contra este homem é, seguramente, tão grande, que fazem o homem dizer aquilo que nunca disse! Certamente a um nível bem inferior, já fizeram o mesmo comigo: conseguiram dizer que eu disse coisas que eu nunca disse! Mas, enfim… já percebi que isso só serve para desenvolver em mim a necessária “PACIÊNCIA” (Apocalipse 14:12; ARC), que deve caracterizar o povo remanescente do tempo do fim!

É UM FACTO que Ellen White tem um grande número de citações onde ela fala dos “seis mil anos” (ver, por exemplo, este meu post: https://www.facebook.com/paulomanuel.nobrecordeiro/posts/215795833017841) e também dos “quatro mil anos”. Alguns ASD sentem-se tão incomodados (literalmente incomodados, não é figurativamente incomodados!) com essas (e outras) citações de EGW, que até gostariam de dar a entender que “não querem saber nada do que ela diz”! E assim, ou IGNORAM por completo essas suas declarações, ou REINTERPRETAM essas declarações afirmando que isso tem que ser interpretado de forma simbólica ou figurativa! Outros vão mesmo ao ponto de NEGAR o que ela diz – como eu próprio ouvi a um professor de teologia – dizendo que a terra tem, no mínimo, cerca de 10 000 anos e não cerca de 6 000 anos. De tudo o que já ouvi sobre a interpretação a dar a essas citações de EGW, a que o Pr. Michelson Borges publicou ontem no seu blogue ainda parece ser a mais equilibrada (ver: https://michelsonborges.wordpress.com/2020/04/28/a- teoria-dos-seis-mil-anos-e-a-volta-de-jesus/).

Pessoalmente, e desde o tempo em que estudei teologia, creio que os 4 000 ou 6 000 anos a que EGW se referiu DEVEM, OBVIAMENTE, SER TOMADOS EM CONSIDERAÇÃO, mas não como períodos de tempo precisos, mas sim APROXIMADOS – biblicamente, TAMBÉM o tempo de permanência dos filhos de Israel no Egito é referido, quer como 400 anos, quer como 430 anos (compare Génesis 15:13 e Atos 7:6 com Êxodo 12:40 e 41 e Gálatas 3:17). Em que é que ficamos? Resposta possível: foi um período à volta desse tempo – provavelmente entre 400 e 430 anos, ou 400 anos pode ser um tempo aproximado e 430 anos um tempo preciso (não entro aqui em maiores detalhes sobre este período, que é muito mais complexo do que, à primeira vista, possa parecer – o SDABC (sigla em inglês do “Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia”), na página 186 do seu 1o volume, refere que a permanência dos filhos de Israel no Egito foi apenas de 215 anos, o que, acreditem, é perfeitamente plausível).

Estas imprecisões que a Bíblia igualmente contém sobre datas, deveriam tornar-nos MUITO PRUDENTES para não tomar os tempos de forma totalmente literal, mas, por outro lado, também não é prudente desconsiderar por completo essas referências temporais como não tendo nenhuma relevância.

Para mim, tenho DUAS CERTEZAS:

 

1a) o ano 2027, como uma referência para o tempo até à vinda de Jesus, é um “hoax” (farsa ou erro), porque Mateus 24:36 NÃO PODE SER IGNORADO!

2a) A segunda vinda de Jesus NÃO DEVE estar muito longe de 2027 (ou para a frente, ou para trás). Quanto tempo exatamente, NÃO SEI, NEM NINGUÉM SABE: “Não sereis capazes de dizer que Ele virá dentro de um, dois ou cinco anos, nem deveis protelar a Sua vinda declarando que talvez não ocorra dentro de dez ou vinte anos.” (EGW, The Review and Herald, 22 de março de 1892; citado em Eventos Finais, pág. 33 da edição online). Esta declaração de Ellen White parece estar, obviamente, “desatualizada”, para o tempo em que ela a escreveu, mas, para mim, não está nem nunca esteve desatualizada, pois ela simplesmente descreve o ESTADO DE ESPÍRITO com que o povo adventista deve esperar a segunda vinda do nosso Salvador e Senhor.

“Não devemos saber o tempo exato para o derramamento do Espírito Santo ou para a vinda de Cristo. … Por que Deus não nos deu este conhecimento? Porque se o fizesse, não faríamos correto uso dele. Desse conhecimento resultaria um estado de coisas entre o nosso povo que retardaria consideravelmente a obra de Deus no sentido de preparar um povo que permaneça em pé no grande dia que está para vir. NÃO DEVEMOS VIVER ANSIOSOS QUANTO AO TEMPO.” (EGW, Eventos Finais, pág. 33 da edição online; minha ênfase em maiúsculas)

“Aproximamo-nos do grande dia de Deus. Os sinais estão a cumprir-se. E, no entanto, NÃO TEMOS UMA MENSAGEM QUE NOS DIGA O DIA E A HORA DO APARECIMENTO DE CRISTO. O SENHOR OCULTOU ISSO PRUDENTEMENTE DE NÓS, para que estejamos sempre num estado de expectativa e de preparação para o segundo aparecimento do nosso Senhor Jesus Cristo nas nuvens do céu.” (Ibidem; minha ênfase em maiúsculas)

“O tempo exato da segunda vinda do Filho do homem é mistério de Deus.” (Ibidem ou O Desejado de Todas as Nações, pág. 633 da edição online)

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