Li uma crítica aos textos inspirados que constam na Bíblia White sobre Mateus 5:48 que me preocupou sobremaneira. Fiquei muito tentado a rebater ponto a ponto (argumentos não me faltam), mas não considero apropriado entrar em uma guerra argumentativa, visto que poderia exaltar o ego, acirrar a oposição, e o pior – desonrar a Cristo. Acredito que “Se o orgulho e o egoísmo fossem colocados de lado, cinco minutos bastariam para remover a maioria das dificuldades” (PE,119), então, mesmo sendo um indigno vaso de barro, suplico ao nosso maravilhoso Deus que me use como instrumento de paz ao defender a verdade nesta questão.

Acredito também que “A melhor maneira de expor a fraude do erro é apresentar as provas da verdade” (Ev, 170), portanto vamos buscar essas provas na fonte pura da verdade – Bíblia e Espírito de Profecia.

Neste comentário, não me valho do grego, que tem o seu valor quando não contraria a Inspiração, mas valho-me sim das fartas e claras explicações em língua viva (inglês) dadas pelo próprio Autor da Bíblia, através da Mensageira de Deus para o tempo do fim (poderia haver melhor Explicador?). Lembremos, no entanto, que “A falsa ciência é um dos meios de que Satanás se serviu nas cortes celestiais, e dela se serve ainda hoje. As declarações falsas que fez aos anjos, suas sutis teorias científicas, seduziram muitos deles levando-os a romper sua lealdade” (CI, 331). Em 2009 a Revista Parousia, com o título “Perfeccionismo”, trouxe um artigo, onde um famoso doutor afirma que o vocábulo “perfeito” no texto de Mateus 5:48 significa “agregador”. Quem pode garantir se os pesquisadores de línguas mortas, responsáveis por determinar o significado de um vocábulo, foram influenciados por Deus ou pelo inimigo? É mais seguro basear nossa compreensão no que diz o professor de grego antigo ou no que diz o Espírito Santo?

Nunca li o termo “exegese” ou “hermenêutica” no texto inspirado. Provavelmente EGW nem os conhecia, mas de uma coisa estou certo, ela foi inspirada pelo Espírito Santo, foi levada ao Céu, conversou com Jesus, encontrou com Enoque, e tinha um anjo que a assistia em seu trabalho como Mensageira do Senhor. Pedro provavelmente também não conhecia esses termos, mas disse ao aleijado na porta Formosa: “levanta-te e anda”. E nós, com todo o conhecimento teórico que temos, o que estamos fazendo de prático em favor da causa do Mestre? Quais são os frutos que apresentamos? O conhecimento que adquirimos tem resultado em maior submissão a Deus, por amor?

Notemos que “A Bíblia com suas preciosas gemas de verdade não foi escrita para o sábio somente. Ao contrário, destina-se ao povo comum; e a interpretação que lhe dá o povo comum, quando auxiliado pelo Espírito Santo, harmoniza-se melhor com a verdade como é em Jesus. As grandes verdades necessárias para a salvação tornam-se claras como a luz do meio-dia, e ninguém errará o caminho exceto os que seguem seu próprio juízo em vez da vontade de Deus claramente” (T5, 331). Vejamos a importância de cada pesquisador da verdade estudar POR SI MESMO: “Os judeus pereceram, como uma nação, porque foram afastados da verdade bíblica pelos seus governantes, sacerdotes e anciãos. Tivessem dado ouvidos às lições de Jesus, e examinado as Escrituras por si mesmos, e não teriam perecido” (MJ, 258). Alguém poderá pensar que essa situação ocorreu somente no tempo de Cristo, e que citá-la para nossos dias, seria usá-la fora de contexto. Então, vejamos uma instrução para o nosso tempo: “O maior auxílio que se pode prestar a nosso povo é ensiná-lo a trabalhar para Deus e a nEle confiar, e não nos pastores. Aprendam a trabalhar como Cristo trabalhou. Unam-se ao Seu exército de obreiros, e façam por Ele um trabalho fiel” (T7, 19). Sem dúvida que há muitos pastores fiéis, mas, como não lemos o coração, hajamos como os bereanos.

Portanto, fiz uma pesquisa sobre Mateus 5:48 no Espírito de Profecia e encontrei 52 citações que comentam esse verso (algumas repetidas). Certamente há bem mais, pois usei como fonte o antigo CD de E.G.White, da CPB, que contém um número reduzido de livros, porém o suficiente para explicar o texto.

Peço licença para transcrever apenas quatro dos textos pesquisados:

1) Os filhos de Deus são os que partilham de Sua natureza. Não é a posição terrena, nem o nascimento, nem a nacionalidade, nem os privilégios religiosos, o que prova ser membro da família de Deus; é o amor, um amor que envolve toda a humanidade. Mesmo os pecadores cujo coração não se ache inteiramente cerrado ao Espírito de Deus, corresponderão à bondade; conquanto devolvam ódio por ódio, darão também amor por amor. É, porém, unicamente o Espírito de Deus que dá amor em troca de ódio. Ser bondoso para o ingrato e o mau, fazer o bem sem esperar retribuição, é a insígnia da realeza celeste, o sinal certo pelo qual os filhos do Altíssimo revelam sua elevada condição.

“Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos Céus.” Mateus 5:48.

A palavra “pois” implica em uma conclusão, uma dedução do que foi dito antes. Jesus estivera descrevendo a Seus ouvintes a infalível misericórdia e amor de Deus, e manda-lhes portanto que sejam perfeitos. Pois que vosso Pai celeste “é benigno até para com os ingratos e maus” (Lucas 6:35), pois que Se abaixou para vos erguer, portanto, disse Jesus, podeis tornar-vos semelhantes a Ele no caráter, e apresentar-vos irrepreensíveis diante dos homens e dos anjos.

As condições da vida eterna, sob a graça, são exatamente as mesmas que eram no Éden – perfeita justiça, harmonia com Deus, conformidade perfeita com os princípios de Sua lei. A norma de caráter apresentada no Antigo Testamento é a mesma apresentada no Novo. Esta norma não é de molde a não podermos atingi-la. Em toda ordem ou mandamento dado por Deus, há uma promessa, a mais positiva, a fundamentá-la. Deus tomou as providências para que nos possamos tornar semelhantes a Ele, e cumpri-las-á para todos quantos não interpuserem uma vontade perversa, frustrando assim a Sua graça (O Maior Discurso de Cristo, p. 75-76).

2) Purificados Como Ele é Puro

E qualquer que nEle tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro. I João 3:3.

Cristo queria elevar e refinar a mente humana, purificando-a de toda escória, de modo a poder o homem apreciar o amor que não tem paralelo. General Conference Bulletin, 1899.

Mediante o arrependimento, a fé e as boas obras, ele pode aperfeiçoar um caráter justo e reivindicar, pelos méritos de Cristo, os privilégios dos filhos de Deus. Os princípios da verdade divina, recebidos e acariciados no coração, levar-nos-ão a uma altura de excelência moral que não haveríamos imaginado possível atingirmos. … “E qualquer que nEle tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro.” 1 João 3:3. Testimonies, vol. 4, pág. 294.

A santidade de coração e pureza de vida, eis os grandes objetivos dos ensinos de Cristo. Em Seu sermão do monte, depois de especificar o que precisa ser feito a fim de ser bem-aventurado, e o que é preciso não fazer, diz: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos Céus.” Mat. 5:48. A perfeição, a santidade – nada menos que isso lhes daria êxito no sustentar os princípios que lhes dera. Sem essa santidade, o coração humano é egoísta, pecaminoso e depravado. A santidade levará seu possuidor a dar frutos, e ser rico em toda boa obra. Ele nunca se cansará de fazer o bem; tão pouco terá em vista a promoção neste mundo; visará a ser promovido pela Majestade do Céu quando Ele exaltar a Seu trono Seus santificados e santos. … A santidade de coração produzirá retas ações. Review and Herald, 7 de setembro de 1866.

Como Deus é puro em Sua esfera, assim o homem deve ser na sua. E será puro, se Cristo, a esperança da glória, habitar no interior; pois ele imitará a vida de Cristo e refletirá Seu caráter. Obreiros Evangélicos, pág. 366.

A principesca dignidade do caráter cristão resplandecerá como o Sol, e os raios luminosos irradiados da face de Cristo se refletirão nos que se purificaram a si mesmos assim como Ele é puro. Testemunos para a Igreja 4, pág. 357.

A pureza de coração levará à pureza da vida.  (Filhos e Filhas de Deus, p. 10).

3) Perfeição Agora?

Sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste. Mat. 5:48.

Quando Deus deu Seu Filho ao mundo, tornou possível a homens e mulheres serem perfeitos mediante o uso de toda capacidade do seu ser para glória de Deus. Em Cristo deu-lhes as riquezas de Sua graça, e o conhecimento de Sua vontade. Ao esvaziarem-se do eu e aprenderem a andar em humildade, buscando orientação de Deus, os homens estariam capacitados a cumprir o elevado propósito de Deus para eles. Review and Herald, 22 de abril de 1909.

A perfeição de caráter baseia-se no que Cristo é para nós. Se confiamos continuamente nos méritos de nosso Salvador, e andamos em Seus passos, seremos semelhantes a Ele, puros e incontaminados.

Nosso Salvador não requer impossibilidade de pessoa alguma. Ele não espera de Seus discípulos coisa alguma para cuja realização não esteja disposto a conceder-lhes graça e força. Não os chamaria a ser perfeitos, caso não dispusesse de toda perfeição e graça para conceder àqueles a quem conferisse tão alto e santo privilégio. …

Nossa obra é esforçar-nos para atingir, em nossa esfera, a perfeição que Cristo atingiu em todos os aspectos do caráter. Ele é nosso exemplo. Devemos esforçar-nos para honrar a Deus no caráter. … Importa sermos de todo dependentes do poder que Ele nos prometeu. Manuscrito 148, 1902.

Jesus não revelou qualidades, nem exerceu poderes que os homens não possam possuir mediante a fé nEle. Sua perfeita humanidade é a que todos os Seus seguidores podem possuir, se forem sujeitos a Deus como Ele o foi. O Desejado de Todas as Nações, pág. 664.

Nosso Salvador é um Salvador para o aperfeiçoamento do homem todo. Não é Deus em relação a parte de nosso ser, apenas. A graça de Cristo atua no sentido de disciplinar o ser humano todo, Ele fez todos. A todos remiu Ele. Tornou a mente, a força, o corpo, assim como o espírito, participantes da natureza divina, e todos são Sua possessão adquirida. Deve Ele ser servido com toda a mente, coração, intelecto e força. Então será o Senhor glorificado nos Seus santos, mesmo nas coisas comuns e temporais, com as quais se acham relacionados. “Santidade ao Senhor” será a inscrição colocada sobre eles. Youth’s Instructor, 14 de abril de 1898 (Maravilhosa Graça, 1974 – 10 de agosto, p. 228).

4) O ideal

O ideal de Deus para Seus filhos é mais alto do que pode alcançar o pensamento humano. “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos Céus”. Mateus 5:48. Este mandamento é uma promessa. O plano da redenção visa ao nosso completo libertamento do poder de Satanás. Cristo separa sempre do pecado a alma contrita. Veio para destruir as obras do diabo, e tomou providências para que o Espírito Santo fosse comunicado a toda alma arrependida, para guardá-la de pecar.

A influência do tentador não deve ser considerada desculpa para qualquer má ação. Satanás rejubila quando ouve os professos seguidores de Cristo apresentarem desculpas quanto à sua deformidade de caráter. São essas escusas que levam ao pecado. Não há desculpas para pecar. Uma santa disposição, uma vida cristã, são acessíveis a todo filho de Deus, arrependido e crente.

O ideal do caráter cristão, é a semelhança com Cristo. Como o Filho do homem foi perfeito em Sua vida, assim devem Seus seguidores ser perfeitos na sua. Jesus foi em todas as coisas feito semelhante a Seus irmãos. Tornou-Se carne, da mesma maneira que nós. Tinha fome, sede e fadiga. Sustentava-Se com alimento e refrigerava-Se pelo sono. Era Deus em carne. Ele compartilhou da sorte do homem; não obstante, foi o imaculado Filho de Deus. Seu caráter deve ser o nosso. Diz o Senhor dos que nEle crêem: “Neles habitarei, e entre eles andarei; e Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo”. 2 Coríntios 6:16. (O Desejado de Todas as Nações, p. 213).

O que podemos fazer hoje para manter firme os pilares de nossa fé que foram edificados com jejum e oração pelo estudo da Palavra e pelo dom profético?

Por vezes me pergunto, a que exatamente o inesquecível e amado Pr. Robert Pierson se referiu em seu sermão de despida da Conferência Geral, em 1978, quando disse: “Prezados líderes, amados irmãos – não permitam que isso aconteça! Apelo a todos  nesta manhã com todo o coração – não permitam que isso aconteça! Apelo à Andrews University, ao Seminário, à Loma Linda University – não permitam que isso aconteça! Não somos anglicanos do sétimo dia, não somos luteranos do sétimo dia – somos adventistas do sétimo dia! Esta é a última igreja de Deus com a última mensagem de Deus!” (Adventist Review, 26 de outubro de 1978).

Concluo com mais uma citação que li ainda esta semana e que me deixou deveras preocupado, pois o capítulo onde se encontra esse texto compara a nossa Igreja (hoje), da qual tenho o alto privilégio de pertencer, com a igreja dos dias do Rei Acabe (o pior período da história de Israel). “Se Deus aborrece um pecado mais do que outro, do qual Seu povo é culpado, é o de nada fazer no caso de uma emergência. Indiferença e neutralidade numa crise religiosa são consideradas por Deus como um crime grave e igual ao pior tipo de hostilidade contra Deus” (T3, 281).

Mauro Carnassale

Membro da IASD, sitiante (morador do Sítio Ararat, sede do Projeto CEU – Centro de Esquecimento do Urbanismo). E-mail: carnassale@uol.com.br

 

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