Colin Standish: Um clamor para se observar os dias das festas Judaicas está encontrando algum sucesso, especialmente entre aqueles que professam estarem firmados pela verdade. Isto é uma diretiva errada. Toda esta questão já fora decidida no Concílio de Jerusalém. O assunto em voga foi claramente estabelecido: “Alguns, porém, da seita dos fariseus que tinham crido se levantaram, di- zendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés.“ Atos 15:5

A decisão do Concílio, verbalizada primeiro por Tiago (Atos 15: 19, 20), e subseqüentemente concordada entre os apóstolos, declarou: “Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras e transtornaram a vossa alma (não lhes tendo nós dado manda- mento), pareceu-nos bem, reunidos concordemente, eleger alguns varões e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que já expuseram a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais de boca vos anunciarão também o mesmo. Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Bem vos vá.” Atos 15: 24-29.

Essa afirmação é tão clara, que é incrível que Adventistas do Sétimo Dia cheguem sequer a considerar em sustentarem a idéia de guardar os dias de festas. Em sua carta aos crentes em Colossos, Paulo declarou: “no qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo. Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.” Colossenses 2:11-14

A Irmã White claramente estabelece o que é que foi pregado na cruz: “Muitos, no mundo cristão, têm também um véu ante os olhos e o coração. Não vêem a terminação do que era transitório. Não vêem que foi tão-somente a lei cerimonial que foi abolida, quando Cristo morreu. Alegam que a lei moral foi pregada na cruz.” Mens. Escolhidas,vol. 1, pg. 239  “Após Cristo morrer, a lei cerimonial não poderia mais ter força alguma.” Comentário Bíblico vol. 6, pg. 1095.

“A lei ritual, com seus sacrifícios e ordenanças, devia ser cumprida pelos hebreus até que o tipo encontrasse o antítipo, na morte de Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Então cessariam todas as ofertas sacri- ficais. Foi esta a lei que Cristo “tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”. Colossenses. 2:14.” Patriarcas e Profetas, pg. 365.

A Irmã White confirmou muito claramente que a celebração dos Dias de Festas não possui valor algum hoje: “Eles [os Judeus Cristãos] tinham dificuldade em discernir o fim das coisas abolidas pela morte de Cristo, e em perceber que todas as ofertas sacrificais não tinham senão prefigurado a morte do Filho de Deus, em que o tipo en- controu o antítipo, tornando sem valor as divinamente designadas cerimônias e sacrifícios da religião judaica.” Hist. da Redenção, pgs. 305, 306.

“Mas ele [Paulo], sabia que as cerimônias típicas logo deviam cessar com- pletamente, já que aquilo que tinham representado estava no passado, e que a luz do evangelho espargia sua glória sobre a religião judaica, conferindo um novo significado a seus antigos rituais.” Ibid., pg. 306

O erro dos Judeus Cristãos foi sua crença de que –
Com grande certeza, afirmavam que ninguém poderia ser salvo sem ser circuncidado e observar toda a lei cerimonial. Ibid., pgs. 304, 305 Pedro, também, defendeu que a lei cerimonial não era obrigatória sobre os cristãos.
Agora, com igual fervor e força, ele afirma: “E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como tam- bém a nós; e não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?” Atos 15: 8 – 10. Atos dos Apóstolos, pgs. 193, 194.

A Irmã White declarou ainda mais: “À luz do evangelho, os antigos ritos e cerimônias confiados a Israel haviam ganho uma nova e mais profunda significação. Aquilo que haviam prefi- gurado tinha-se cumprido, e os que estavam vivendo sob a dispensação evangélica tinham ficado livres de sua observância.” Atos dos Apóstolos, pg. 190.

Queridos irmãos e irmãs, não permitamos que, em nosso zelo, sejamos des- viados para as práticas e observâncias que Deus não mais requer. Sigamos um claro “Assim diz O Senhor.”

Dois dos mais fortes argumentos propostos pelos protagonistas da guarda dos dias de festa, repousam sobre uma determinação de Paulo de chegar em Jerusalém antes da Festa do Pentecostes e sobre uma admoestação da Irmã White de que o povo de Deus hoje seria beneficiado guardando uma Festa dos Tabernáculos. Portanto esses argumentos requerem um cauteloso exame.

Não se pode negar que Paulo teve grande determinação de participar da Festa do Pentecostes em Jerusalém. Isso é determinado por três registros de Lucas: “Antes, se despediu deles, dizendo: Eu devo, por todos os meios, celebrar a festa que vem em Jerusalém; mas eu retornarei a vós, se Deus quiser. E partiu de Éfeso.” Atos 18: 21. “E, cumpridas estas coisas, Paulo propôs, em espírito, ir a Jerusalém, pas- sando pela Macedônia e pela Acaia, dizendo: Depois que houver estado ali, importa-me ver também Roma.” Atos 19: 21. “Porque já Paulo tinha determinado passar adiante de Éfeso, para não gastar tempo na Ásia. Apressava-se, pois, para estar, se lhe fosse possível, em Je- rusalém no dia de Pentecostes.” Atos 216.

O primeiro desses registros poderia certamente ser interpretado, consistente com a tese de que Paulo estava determinado a participar na guarda ritualística dessa festa. No entanto, a evidência inspirada renuncia tal compreensão. O objetivo inicial de Paulo era ir para a Festa da Páscoa, mas a demora na viagem levou-o a decidir depois a apressar-se para estar em Jerusalém na Festa do Pentecostes. Uma revisão do conselho inspirado não permite a conclusão de que o motivo de Paulo era guardar a festa como um forma ritual. Perceba as razões para a decisão dele: Paulo tinha grande desejo de alcançar Jerusalém antes da Páscoa, para que assim tivesse uma oportunidade de encontrar-se com os que vinham de todas as partes do mundo para assistir à festa. Acariciava sempre a esperança de servir, de algum modo, como instrumento na remoção dos preconceitos de seus patrícios incrédulos, a fim de que fossem levados a aceitar a preciosa luz do evangelho. Desejava também ir ter com a igreja de Jerusalém e levar- lhes os donativos que as igrejas gentílicas enviavam para os irmãos pobres da Judéia. E por essa visita esperava promover mais firme união entre os judeus conversos e os conversos gentios.” Atos dos Apóstolos, pg. 389.

Esta explanação certamente assenta a questão, removendo as sugestões de que essa visita de Paulo a Jerusalém, no período do Pentecostes, impele os Cristãos do Novo Testamento a guardarem anualmente o Pentecostes ou qualquer outro dia de festa. E, além disso, nós aprendemos das Escrituras que O Espírito Santo advertiu a Paulo contra sua ida a Jerusalém:

E, achando discípulos, ficamos ali sete dias; e eles, pelo Espírito, diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém. Atos 21:4.

“E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Ágabo; e, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo e, ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus, em Jerusalém, o varão de quem é esta cinta e o entregarão nas mãos dos gentios. E, ouvindo nós isto, rogamos-lhe, tanto nós como os que eram daquele lugar, que não subisse a Jerusalém”. Atos 21:10-12.

Mas Paulo pôs de lado as advertências dO Espírito Santo. Não era intenção de Deus que Paulo seguisse para Jerusalém, onde ele cederia à pressão, sem dúvidas bem-intencionado, para cumprir os rituais de purificação. Sua aceitação resultou no encurtamento de sua vida e, portanto, no encurtamento de seu ministério.

“Quando pensamos no grande desejo de Paulo em harmonizar-se com seus irmãos, sua bondade para com os fracos na fé, sua reverência pelos apóstolos que haviam estado com Cristo, e por Tiago, o irmão do Senhor, e seu propósito de tornar-se tanto quanto possível tudo para com todos sem sacrificar princípios – quando pensamos em tudo isto, surpreende menos que ele tenha sido constrangido a se desviar do caminho firme e decidido que até aí seguira. Mas em vez de alcançar o objetivo desejado, seus esforços pela conciliação apenas precipitaram a crise, apressaram os sofrimentos que lhe estavam preditos, e resultaram em separá-lo de seus irmãos, privando a igreja de uma de suas mais fortes colunas, e levando a tristeza aos corações cristãos em toda parte.” Atos dos Apóstolos, pgs. 405, 406.

Agora nos volvamos a uma outra declaração da Irmã White, em Patriarcas e Profetas, na qual não encontramos maior evidência para apoiar a guarda dos Dias de Festas, do que na experiência de Paulo.

“Nestas assembleias anuais o coração de velhos e jovens se animava no serviço de Deus, ao mesmo tempo em que a associação da gente das várias regiões do país fortalecia os laços que os ligavam a Deus e uns aos outros. Bom seria que o povo de Deus na atualidade tivesse uma Festa dos Tabernáculos – uma jubilosa comemoração das bênçãos de Deus a eles. Assim como os filhos de Israel celebravam o livramento que Deus operara a seus pais, e sua miraculosa preservação por parte dEle durante suas jornadas depois de saírem do Egito, devemos nós com gratidão recordar-nos dos vários meios que Ele ideou para nos tirar do mundo, e das trevas do erro, para a luz preciosa de Sua graça e verdade.” Patriarcas e Profetas, pgs. 540, 541.

Primeiro, esta declaração deve ser examinada à luz de outras declarações do Espírito do Espírito de Profecia, algumas das quais são citadas mais à frente neste capítulo. Estas proíbem enfaticamente a guarda das festas, após o sacrifício de Cristo. Mas agora examinemos esta citação da Irmã White acima. Ela não incita à guarda de “a festa dos Tabernáculos”, e sim de “uma Festa dos Tabernáculos”. Mas o objetivo de tal festa em nossos dias atuais deve focalizar-se sobre a libertação, que Deus deu a Seu povo, do mundo. Isso seria maravilhosamente alcançado em uma reunião campal ou em algumas outras santas convocações.

Alguns podem perguntar: “Que mal faria se guardar os dias de festas?” A Serva dO Senhor fornece uma resposta específica para essa pergunta: Foi desejo de Cristo deixar a seus discípulos uma ordenança que fizesse por eles as próprias coisas das quais eles necessitavam – a qual serviria para desengodá-los dos ritos e cerimônias nos quais eles estavam até ali essencialmente engajados, e que o receber o evangelho não forçou muito. Continuar esses ritos seria um insulto a Jeová.” Comentário Bíblico, vol. 5, pgs. 1139, 1140 – grifo nosso.

A Irmã White não poderia falar mais claramente, ao comentar ela sobre a inauguração, feita por Cristo, da cerimônia de comunhão. “As festas nacionais dos Judeus findaram para sempre”.

“Cristo Se achava no ponto de transição entre dois sistemas e suas duas gran- des festas. Ele, o imaculado Cordeiro de Deus, estava para Se apresentar como oferta pelo pecado, e queria assim levar a termo o sistema de símbolos e cerimônias que por quatro mil anos apontara à Sua morte. Ao comer a páscoa com Seus discípulos, instituiu em seu lugar o serviço que havia de comemorar Seu grande sacrifício. Passaria para sempre a festa nacional dos judeus. O serviço que Cristo estabeleceu devia ser observado por Seus seguidores em todas as terras e por todos os séculos.” Desejado de Todas as Nações, pg. 652 – grifo nosso.

“Ele, O puro Cordeiro de Deus sem mancha, estava Se apresentando como oferta pelo pecado; e, enquanto agora comia a Páscoa com Seus discípulos, Ele pôs um fim aos sacrifícios que por quatro mil anos tinham sido oferecidos.” Comentário Bíblico, vol. 5, pg. 1139.

“Era esse o ponto de transição entre duas dispensações e suas duas grandes festas. Uma iria terminar para sempre; a outra, que Ele acabava de estabe- lecer, iria substituí-la, e continuar através dos séculos como o memorial de Sua morte.” Evangelismo, pgs. 273, 274.

“Quando o Salvador rendeu Sua vida no Calvário, cessou a significação da Páscoa, e a ordenança da Ceia do Senhor foi instituída como memorial do mesmo acontecimento de que a Páscoa fora tipo.” Patriarcas e Profetas, pg. 539.

Que negação do ministério redentor de Deus, através de Cristo, é guardar as festas do Antigo Testamento! Os Adventistas do Sétimo Dia sempre devem seguir os conselhos da Bíblia e do Espírito de Profecia. Persistir em seguir qualquer coisa a mais (mesmo quando textos da inspiração, que não são afirmações claras, mas obscuras, são usadas para apoiar o erro) fará, por fim, com que o seguidor penetre nas trevas exteriores e se perca eternamente.

“Mas suas palavras [de Caifás] significam mais do que ele ou aqueles envol- vidos com ele sabiam. Por elas ele testemunhou de que deveria vir o tempo em que o sacerdócio Aarônico cessaria para sempre. Ele estava condenando Aquele que tinha sido prefigurado em cada sacrifício feito, Cuja morte porém finalizaria a necessidade de tipos e sombras. Sem saber ele estava declarando que Cristo estava prestes a cumprir aquilo para o que o sistema de sacrifícios e ofertas tinha sido instituído.” Review and Herald, 12 de Junho de 1900.

“Após a morte de Cristo na cruz, como oferta pelo pecado, a lei cerimo- nial não poderia ter força alguma.” Comentário Bíblico, vol. 6, pg. 1095.

“As cerimônias conectadas com o serviço do templo, prefigurando Cristo em tipos e sombras, foram retiradas no tempo da crucifixão, porque na cruz o tipo encontrou o antítipo, na morte da verdadeira e perfeita oferta, O Cordeiro de Deus.” Ibid., pgs. 1115, 1116.

Guardar os Dias de Festas é proibido por Deus. Como Adventistas do Sétimo Dia, nós seguiremos O Senhor.

 

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