Se surgirem dúvidas, leia até o fim – Por Gabriel Tardin

1 – Construa “templos-teatro”, de forma que a congregação sinta-se confortável e os visitantes sintam-se acolhidos em um espaço que não lhes cause estranheza, transmita informalidade e produza nos cultos uma atmosfera agradável de entretenimento.

2 – Prepare os ministros para serem, além de bons oradores, comediantes, animadores de plateia e instrutores de autoajuda. Ensine-os a fazer discursos mais suaves, de preferência filosóficos e motivacionais.

3 – Utilize música mais moderna e que desperte profundamente as emoções. Não esqueça que “Deus não faz acepção de ritmos e de instrumentos”, portanto use o estilo que mais se adequar a sua cultura, gosto e vontade. E não esqueça de fazer uma liturgia mais semelhante a um programa do que a uma cerimônia religiosa. Evite orações de joelhos, pois são muito cansativas. Gaste mais tempos com músicas, vídeos e dinâmicas do que com pregações e leitura da Bíblia. O culto fica mais legal.

4 – Não pregue contra o pecado. Se possível, nem cite esse nome. O conceito de pecado é muito relativo, tocar nesse assunto é tornar o culto desconfortável e rígido. Não aponte este ou aquele grupo como estando errado (a menos que sejam os fariseus e perfeccionistas que insistem em falar de santificação). Diga que o pecado é um inimigo invencível antes da volta de Cristo, e que está nos planos de Deus retirar-nos de seu completo poder somente no retorno de Jesus.

5 – Faça do juízo uma boa notícia, tão boa a ponto de as pessoas não afligirem sua alma e nem se preocuparem com o exame de suas vidas, afinal todo aquele que crê é declarado justo e permanece justo independente do que faça. Não deixe espaço para que as pessoas pensem que Deus pode permiti-las morrer num lago de fogo e enxofre, afinal elas podem ficar aterrorizadas e nunca mais voltar à Igreja.

6 – Diga a todos que já estão salvos. Resuma a salvação ao que Cristo fez na cruz, e diga que o homem não tem participação alguma na própria libertação do pecado. Diga que salvação é apenas justificação, sendo a santificação somente um resultado disso (não esqueça de usar o ladrão da cruz como exemplo).

7 – Seja cristocêntrico, mas somente no que diz respeito a beneficência social e aceitação dos pecadores. Faça Cristo parecer um grande socialista ou um hippie bem-humorado, e diga que Ele aceita tudo e todos. Diga que Ele ama o pecador, portanto não se importa com o pecado. Diga que a preocupação máxima de Cristo era curar doentes e arrebanhar prostitutas, ladrões e demais rejeitados. Não dê muita ênfase em textos onde Ele reprovava o pecado (só se for para falar de perfeccionistas, repito).

8 – Ensine que Cristo é nosso Substituto, mas não precisa gastar muito tempo dizendo que Ele é nosso Exemplo, afinal Sua substituição é perfeitamente aplicável a nós, mas Seu exemplo não. Não precisa ensinar os membros a andar como Ele andou (1João 2:6) ou a vencer como Ele venceu (Apocalipse 3:21), afinal isso são coisas impossíveis. Não ponha sobre a igreja o pesado jugo de ser como Jesus!

9 – Ponha teólogos, sociólogos e demais cientistas em pé de igualdade com os profetas. Não estabeleçam diferenças entre Calvino, Lutero e Jeremias. Deixem que Matthew Henry, Spurgeon e o apóstolo Paulo estejam em pé de igualdade. Não proponha diferenças doutrinárias e normativas entre Agostinho e Ellen White. Use as declarações da Bíblia somente em formato homilético e torne os escritos de Ellen White meramente devocionais. Por fim, faça com que o membros confiem mais na própria intuição ou na opinião do pastor do que nas declarações inspiradas.

10 – Fale da volta de Jesus apenas ao acontecer uma grande tragédia ou se alguém perguntar. Não pregue sobre as profecias que anunciam o fim dos tempos, pois é alarmismo. Ensine as pessoas a aperfeiçoarem sua vida aqui, a buscarem o máximo possível de sucesso temporal e a considerarem a volta de Cristo sempre para um futuro bem distante, se possível, na geração seguinte.

Tendo seguido esses conselhos, você terá uma igreja renovada, atualizada, relevante, intencional, recristianizada, popular, fervorosa, animada… e pronta para o fogo do inferno!

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